Consciência Ecológica e Cidadania

19/03/2010

Frase do dia (sensacional!)

Arquivado em: Uncategorized — Tags:, — Ricardo Casetta @ 15:27

“Crescer por crescer, é a filosofia da célula cancerosa” – Banner colocado por estudantes, na entrada de uma conferência sobre economia.

18/03/2010

Entrevista de Marina Silva na CBN

Arquivado em: Uncategorized — Tags: — Ricardo Casetta @ 13:45

Para quem possa interessar, estou colocando o link da entrevista da Marina Silva para a Rádio CBN:

http://www.minhamarina.org.br/blog/2010/03/confira-a-entrevista-completa-de-marina-silva-para-a-cbn-rio/

24/02/2010

Estudo diz que Brasil tem regras frágeis para verbas de campanha; para ONG, punição “leve” contribui para escândalos políticos no país

Arquivado em: Uncategorized — Tags:, — Ricardo Casetta @ 13:16

As eleições no Brasil são influenciadas por indivíduos e empresas detentoras de poder econômico, afirma o Relatório Global sobre Integridade 2010, estudo que acaba de ser divulgado pela ONG Global Integrity, baseada em Washington-DC (EUA). O estudo atribui a influência decisiva dos mais ricos no processo eleitoral local e nacional a regras “frágeis” de financiamento de campanha.

Segundo o documento, as doações feitas em campanha atuam diretamente no resultado das eleições e nas decisões dos políticos depois de eleitos. O documento também aponta a adoção de punições leves como fator de contribuição para a ocorrência de escândalos políticos.

A Global Integrity é uma organização independente e não lucrativa que acompanha as tendências de governança e corrupção no mundo. Equipes de pesquisadores e jornalistas de vários países colaboram com a ONG na avaliação da transparência de informações e prestação de contas dos governantes.

De acordo com o relatório divulgado nesta semana, as leis brasileiras se baseiam no tamanho do rendimento das empresas para definir o montante que as mesmas podem doar para partidos ou candidatos nas eleições. Ou seja, quanto maior for o lucro de certa corporação, mais condições ela tem de patrocinar a corrida eleitoral, exercendo influência direta nas ações destes políticos depois que eles tomam posse. O mesmo vale para pessoas físicas, onde os limites de doações são baseados em uma porcentagem do rendimento anual. Quanto mais rico, maior é considerada a legalidade da doação.

Para o diretor de controle da ONG, Nathaniel Heller, o grande desafio brasileiro para o progresso do sistema eleitoral é limitar os montantes permitidos de doações aos candidatos e aumentar as multas para quem desrespeitar as leis. “Atualmente, as empresas podem doar até 2% de suas receitas, o que significa uma enorme quantidade de recursos se tratando de grandes corporações. Isso pode abrir as portas na influência do resultado das eleições e na ação do político posteriormente”, disse.

Segundo Heller, também é importante que a população saiba durante a época de campanha quem está doando dinheiro aos candidatos, para que se possa analisar e decidir se um determinado político está próximo demais de grandes interesses comerciais. “É importante fazer isso durante a corrida, e não depois, como é feito atualmente no país”, comenta.

As sanções brandas para a violação dessas leis também são criticadas no relatório. “As penalidades para violar estas leis são limitadas à pequenas multas e não é surpresa que recentes escândalos políticos apontem para possíveis doações ‘por baixo dos panos’ continuem vivos e fortes”, diz o documento.

Segundo o diretor, a melhoria na regulamentação do financiamento político é um elemento importante na construção da confiança entre o povo e o governo. “Se a população acredita que o governo se ‘vende’ para o maior lance, isso mina a confiança no Estado e abre espaço às formas alternativas de governo, como o crime organizado”, explica.

Outra fragilidade do país apontada pelo relatório diz respeito ao fato de que os partidos políticos podem obter financiamento e o redistribuir entre seus vários candidatos, tornando difícil determinar qual doador está dando suporte ativamente a qual candidato.

Apesar dos aspectos negativos, o país é bem avaliado nas áreas de sociedade civil e privatização. O trabalho do Tribunal de Contas da União também recebe destaque no estudo como “muito ativo na abertura de investigações sobre irregularidades”.

A versão final da análise sobre o Brasil ainda não está concluída, de acordo com a assessoria da ONG, mas deve ser divulgada nos próximos 10 dias.

Fonte: UOL Notícias, 24/fev/2010

11/02/2010

Meu ponto de vista sobre desenvolvimento sustentável – uma breve discussão

Arquivado em: Uncategorized — Tags: — Ricardo Casetta @ 10:17

A humanidade há tempos vem sistematicamente avançando sobre os recursos naturais. Nossa capacidade ímpar de transformar esses recursos em ferramentas e produtos mais úteis para nós foi um dos grandes responsáveis pela nossa sobrevivência como espécie e também pela indiscutível hegemonia frente aos demais seres vivos desse planeta. Num mundo de algumas centenas de milhões ou de até um bilhão de pessoas (como fora até o início do século XIX) o impacto dessas ações era suportado adequadamente pelo planeta através da regeneração de seus sistemas vivos (com exceção de alguns impactos locais em termos de exaustão de recursos e de extinção de animais). No entanto, com o crescimento da população mundial e, mais ainda, com o aumento significativo da velocidade de extração e descarte de produtos proporcionado inicialmente pela Revolução Industrial em meados do século XVIII e posteriormente com o advento da Indústria Petroquímica na década de 30, os sistemas naturais da Terra passaram a ser consumidos de uma forma nunca observada antes. Os impactos já vêm sendo identificados pela comunidade científica há muito tempo: mudanças climáticas, exaustão de recursos, perda de biodiversidade, etc.

Para esse problema global, não existem vilões facilmente identificáveis. Não é uma ou outra nação ou grupo que poderia ser detido por uma coalizão do resto do mundo. O problema central da depredação da biosfera está exatamente no modelo de desenvolvimento econômico hegemônico e que vem “funcionando bem” e gerando a riqueza que vemos hoje (mas de forma extremamente desigual), porém negando as externalidades, que são o verdadeiro custo desse modelo. O modelo econômico é a própria causa porque ele pressupõe que os recursos naturais são infinitos (ou seja, que a Terra é inesgotável) e que, no limite, a tecnologia encontraria um substituto para aquele determinado recurso que está se esgotando ou formas mais eficientes de utilizá-lo e produzi-lo. O que move o sistema econômico é a expansão, o incremento, de sempre se produzir mais, ou seja, de aumentar o fluxo de produtos e serviços em comparação com o fluxo de produtos e serviços do período anterior: as empresas são impelidas a isso (sempre aumentar o faturamento e o lucro em comparação com o período anterior), os governos são impelidos a isso (como o crescimento do PIB), tudo de forma ad eternum. Um plano de desenvolvimento sustentável deve trabalhar fora desse modelo.

Um plano de desenvolvimento sustentável deve prever sim o desenvolvimento e uso de tecnologias “mais limpas” (o que inclui, mas não se limita, a utilização de tecnologias menos intensivas em carbono), mas não apenas isso, pois assim estaríamos apenas focando o aspecto ambiental, e apenas uma parte dele. A preocupação deve ser também social, de modo que devem estar contempladas diversas ações relacionadas ao bem estar geral e à redução da pobreza e que se integram naturalmente às propostas de desenvolvimento regional.

Um modelo de desenvolvimento sustentável nem pode ser apenas considerado um modelo de desenvolvimento econômico, pois vai muito além da preocupação econômica. Ele pretende identificar as problemáticas socioambientais para poder propor soluções integradas.

Um plano de desenvolvimento sustentável regional não deve apenas sugerir uma série de atividades econômicas “sustentáveis” isoladas (fora de um contexto maior) sob pena de não ser possível identificar tantas atividades sustentáveis rentáveis quanto às atividades econômicas não sustentáveis existentes. Isso porque, infelizmente, grande parte da rentabilidade da maioria das atividades econômicas advém do fato de elas não serem sustentáveis, principalmente do ponto de vista ambiental.

A sustentabilidade se alicerça sobre três pilares: o econômico, o social e o ambiental. Quando esse conceito incorporou os pilares social e ambiental ele reduziu sim o grau de importância do pilar econômico. No contexto do desenvolvimento sustentável, o pilar econômico deve ser utilizado com bastante cautela, pois uma atividade com preocupações sociais e ambientais não terá tanta facilidade para se desenvolver do que aquelas que não requerem essas preocupações. Toda a estrutura jurídica e institucional bem como as forças econômicas e os interesses existentes ainda são muito mais favoráveis à manutenção do status quo, ou seja, às atividades tradicionais, dado que algumas novas atividades podem ainda nem possuir o arcabouço jurídico estabelecido, o interesse político, o estímulo fiscal necessário, um mercado comprador ou mesmo a sua real valorização dentro dos conceitos econômicos tradicionais.

30/12/2009

Felicidade e prazer (3/3)

Arquivado em: Uncategorized — Tags:, — Ricardo Casetta @ 18:04

No endereço de internet a seguir consta um artigo de uma linguística sobre felicidade e consumo e também sobre a capacidade da mídia em influenciar opinião. Eu mesmo já fiquei bastante incomodado com as verdades veiculadas em algumas revistas (notadamente a Veja), verdades que não são absolutas nem na comunidade científica mas que a Veja as considera como tal (e com certeza grande parte do público as absorve sem questionar). O texto possui partes bastante densas de modo que aconselho lê-lo apenas em momentos de bastante inspiração.

http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/famecos/article/viewFile/5908/4275

Algumas passagens interessantes eu transcrevi a segui:

- Só se pode falar de comunicação/informação enquanto recortes de verdade que são parte de um meio social voltado ao consumo. De acordo com Courtine, “há um certo encontro entre a fome midiática de produzir “verdades” e a vontade espectadora de comer “verdade”” (Courtine, 2003, p. 62). Esta reflexão nos importa enquanto estudo e descrição das condições de produção do discurso que sinalizam para a interpretação de que o jornalismo está sujeito às circunstâncias de mercado e está imerso em uma “cultura” profissional (e antes social) que valoriza a verdade como conformidade (homogênea) e relativiza a opinião.

- Jean Baudrillard (1991) foi um dos primeiros autores contemporâneos a abordar o problema teórico do consumo. Em sua análise, acreditou na existência de uma “sociedade de consumo”. Segundo ele, viveríamos em um contexto onde o consumo invade a vida das pessoas, suas relações envolvem toda a sociedade e as satisfações pessoais são completamente traçadas através dele (p. 22). Apesar do consumo nunca ter possuído tanta significação, como em nosso tempo, ele é um dos aspectos constituintes da cultura contemporânea e de seus objetos. Supervalorizar a inegável hegemonia da ideologia do consumo pode levar a que se perca de vista as demais condições e problemáticas da nossa sociedade. Deixar de entender, por exemplo, que somente existe consumo por efeito da atual e maciça produção de mercadorias.

- Nesta nova ordem social, o consumo existiria com maior força de expressão do que no passado, principalmente através do conjunto de crenças e desejos presentes na sociedade. Os sujeitos consumistas de produtos carecem, na sua heterogeneidade, de uma relação de desejo, satisfação emocional e sensorial com os produtos que consome. De acordo com Baudrillard (1993), em seu estudo sobre a relação consumo, sociedade e mídia, a mensagem publicitária não convenceria aos sujeitos. Funcionaria como uma espécie de fábula, na qual as pessoas não estariam preocupadas em analisar a veracidade do seu discurso. Na verdade, elas seriam seduzidas por este. Segundo Baudrillard, a publicidade atuaria diretamente no plano das crenças e dos desejos dos grupos sócio-culturais. Ainda, de acordo com o autor francês, “a publicidade é antes consumida do que destinada a dirigir o consumo” (1993, p.182).

 

Felicidade e prazer (2/3)

Arquivado em: Uncategorized — Tags:, — Ricardo Casetta @ 18:03

Sempre em busca da felicidade*

Se pudéssemos voltar no tempo e sentar no divã daquele que é considerado o pai da psicanálise, Sigmund Freud, e perguntássemos sobre a eterna e incansável luta da espécie humana na busca da felicidade, creio que ele nos responderia com uma de suas frases célebres: “A felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz”.

Apesar de não ser psiquiatra ou psicólogo e não possuir um divã em meu consultório, percebo que ao deixar o paciente falar e relatar os fatos cotidianos de sua vida, abrindo o portal do interior de sua mente e do seu coração, uma questão torna-se latente: até que ponto a insatisfação com a própria vida e a busca constante desse paraíso chamado “Terra da Felicidade” contribui para os conflitos geradores de problemas mente-corpo na vida de todos nós?

A busca da felicidade é o combustível que nos move. Ela nos força a estudar, trabalhar, ter fé, juntar dinheiro, gastar dinheiro, realizar projetos, fazer amigos, casar, separar, ter filhos e criá-los. Acreditamos que cada uma dessas conquistas é a coisa mais importante do mundo e isso nos dá disposição para lutar por elas.

Mas tudo isso é ilusão, pois a cada vitória, surge uma nova necessidade. Um ótimo exemplo que li na definição de felicidade a compara a uma cenoura pendurada numa vara de pescar amarrada no nosso corpo. Às vezes, conseguimos dar uma mordidinha, mas a cenoura continua lá adiante, apetitosa, nos empurrando para tentar alcançá-la.

No mundo em que vivemos ser feliz é uma obrigação. As pessoas tristes são indesejadas, vistas como fracassadas. Muitos de nós acabamos fazendo força demais para demonstrar felicidade aos outros e sofremos por causa disso. Essa obrigação torna a felicidade um peso e uma grande fonte de ansiedade e depressão que são as doenças do momento.

Um dos motivos pelos quais a felicidade é tão difícil de alcançar é que nem sabemos bem o que ela é. O psicólogo norte-americano Martin Seligman, da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, concluiu que felicidade é na verdade a soma de três coisas diferentes: prazer, engajamento e significado.

Prazer é aquela sensação que costuma tomar nossos corpos quando dançamos uma música boa, ouvimos uma piada engraçada, conversamos com um bom amigo, fazemos sexo ou comemos chocolate e que, geralmente, está acompanhada por um sorriso e por brilho nos olhos. Engajamento é a profundidade de envolvimento entre a pessoa e sua vida. Um sujeito engajado é aquele que está absorvido pelo que faz, que participa ativamente da vida. E, finalmente, significado é a sensação de que nossa vida faz parte de algo maior.

Seligman disse à revista Time que “buscar a felicidade” é uma meta meio vaga, fica difícil saber por onde começar. Mas, se você se conscientizar de que basta juntar essas três coisas para a felicidade vir, a tarefa torna-se mais fácil. Ele acha que um dos maiores erros das sociedades ocidentais contemporâneas é concentrar a busca da felicidade em apenas um dos três pilares e, geralmente, escolhemos justo o mais fraco deles: o prazer. Engajamento e significado são muito mais importantes, segundo suas pesquisas.

Nível de satisfação tende a ficar o mesmo por toda a vida
Outro fator importante é o genético. Nas últimas décadas, apareceram muitas evidências de que nós tendemos a manter um nível de felicidade constante ao longo de nossas vidas e nem mesmo grandes acontecimentos – positivos ou negativos – parecem capazes de alterar drasticamente esse nível.

Um estudo realizado em 1978 com ganhadores da loteria mostrou que esses felizardos têm picos de felicidade logo após o prêmio, mas tendem a voltar aos níveis anteriores alguns meses depois.

Algo equivalente parece acontecer com pessoas que ficam paraplégicas em acidentes. Elas passam por um período de infelicidade, mas dois meses depois recuperam níveis semelhantes aos anteriores ao acidente.

Cada um de nós tem um biotipo diferente – uma tendência para sermos mais gordos ou mais magros. Pelo jeito, parece que o mesmo ocorre com a felicidade. No entanto, isso não impede que nossas atitudes possam dar uma ajudinha.

Permanência – Finalmente, chamo atenção para a diferença entre “ser feliz” e “estar feliz”. Existem pessoas que levam uma vida cheia de momentos de prazer, mas que não têm um caminho definido ou um significado.

No extremo contrário estão aqueles que abrem mão do “estar feliz” por só pensar no futuro esquecendo da felicidade presente.

Talvez o melhor caminho esteja entre esses dois. Felicidade não é um fim em si, mas uma conseqüência do jeito que você leva a vida. Espero que encontrem a trilha correta. Saúde e felicidade a todos!

Três pilares: prazer, engajamento e significado
Mas, como atingir os três pilares da felicidade? Pesquisadores da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, estudam um fenômeno cerebral chamado “fluxo”, que ocorre quando o engajamento numa atividade torna-se tão intenso que dá aquela sensação boa de estar completamente absorto, a ponto de esquecer do mundo e perder a noção do tempo. Seria um estado de alegria quase perfeita.

Esse fenômeno acontece com monges em estado de meditação, mas também em situações como tocar um instrumento, ler um bom livro ou brincar com os filhos. As pessoas em estado de fluxo ativam uma região do cérebro chamada córtex pré-frontal esquerdo, o que pode ter uma série de efeitos no organismo, como um melhor funcionamento do sistema imunológico. O segredo é buscar atividades nas quais se possa usar todo o seu talento, tendo um desafio não muito fácil a ponto de ser entediante, nem tão difícil que se torne estressante.

Com relação ao significado, parece que a religiosidade é um dos caminhos mais diretos para atingi-lo. A humanidade sempre encontrou alento na crença de que cada um de nós faz parte de uma ordem maior e pesquisas mostram que as pessoas religiosas consideram-se, em média, mais felizes que as não-religiosas. Elas também têm menos depressão, menos ansiedade e suicidam-se menos.

Mas a religião não é a única forma de dar significado à vida. Fazer o bem para os outros, como ao visitar um orfanato, ajudar uma criança ou um idoso desamparado representa uma ótima escolha. Seligman mediu em laboratório os efeitos do altruísmo e percebeu que um único ato de bondade pode melhorar efetivamente os níveis de felicidade de uma pessoa por até dois meses.

Também podemos alcançar significado construindo algo que pode sobreviver a nós (como ao criar nossos filhos) e ao acreditar que nossa vida é importante para alguma causa (ciência, justiça, liberdade, progresso, natureza).

‘O ser humano necessita de gratificação’
Lidar com a felicidade ou a busca dela é uma das tarefas da psicóloga Luciana Xavier Mantero, de Santo André. Todos os dias, ela lida com pacientes que procuram melhorar suas vidas e com problemas que atrapalham no caminho para a satisfação.

“As pessoas precisam entender que a felicidade está dentro da mente de cada um. A chave de tudo está no pensamento “, diz Luciana. “Mas hoje sinto que há uma distorção na percepção das pessoas. Se perdeu o prazer por coisas pequenas.”

“A sensação que a gente tem, e estudos comprovam isso, é de que hoje as pessoas perdem a noção do caminho, ou seja, do buscar a felicidade”, explica a psicóloga.

Luciana também lembra que cada um tem de definir o que é certo para si. “Acredito que a felicidade é real, sim, desde que as pessoas tracem metas que possam atingir”, diz. “O que percebo nos meus pacientes é que os objetivos são muito irreais e eles acabam se desapontando quando os projetos não dão certo.”

Para ajudar os pacientes a evitar essas armadilhas, a psicóloga aborda diferentes conceitos conforme as sessões passam. Nas primeiras duas partes do processo, são trabalhadas a identidade e a auto-estima. “Na terceira fase, o objetivo é fazer com que ele ache alguma maneira de se gratificar”, explica. “O ser humano necessita de gratificação. Com casamento, nascimento de filhos e crescimento profissional, isso acaba ficando para trás. Mas é algo necessário.”

Também nessa hora, é preciso ter bem claro o que ajuda e o que atrapalha. “Algumas pessoas buscam gratificações erradas. Elas vão até o shopping e gastam R$ 10 mil ou usam drogas ou bebem até cair. É importante que se busque uma gratificação saudável”, orienta.

“Eu já vi coisas bastante peculiares. Tenho alguns pacientes que gostam de andar de esteira da meia-noite à 1h. Não existe uma receita pronta, cada um tem de achar a sua atividade. As pessoas precisam, inclusive, encontrar prazer nessa busca”, conta Luciana, que alerta: “Se as pessoas não aproveitam o presente, não conseguem fazer um futuro.” (Daniel Trielli)

* Fábio César dos Santos, do Diário do Grande ABC

Felicidade e prazer (1/3)

Arquivado em: Uncategorized — Tags:, — Ricardo Casetta @ 18:02

Seguem dois textos bastante interessantes sobre o tema felicidade, o que inclui algumas recentes descobertas científicas. E aproveitando o assunto e o momento, desejo a todos um ano novo repleto de felicidades, da verdadeira felicidade.

A felicidade e o prazer*

Nós seres humanos temos uma ligação tão forte com o prazer que muitas vezes o confundimos com a felicidade e ao confundir estas estações acabamos por pensar que o caminho para felicidade passa pela busca do prazer.

A cultura dos dias atuais nos faz acreditar que o prazer e a felicidade são a mesma coisa e obedecemos cegamente ao desejo humano de evitar o sofrimento e buscar o prazer o tempo todo.
Uma pesquisa americana extremamente interessante estudou o comportamento humano em relação ao prazer e à felicidade e nos meios científicos ficou conhecida como a “pesquisa do marshmellow”.

Separaram aleatoriamente crianças de ambos os sexos, com idade de quatro anos. A cada uma delas era oferecida uma pelota de marshmellow e lhes era dito o seguinte: “Esse marshmellow é seu. Você pode comê-lo assim que quiser. No entanto, se você esperar um certo tempo, receberá uma segunda pelota de marshmellow”.

As crianças eram colocadas individualmente em uma sala equipada com um espelho de observação. Algumas crianças não resistiram, desistiram da possibilidade do segundo marshmellow e comeram. Outras olhavam para o marshmellow, desviavam o olhar para o teto; buscavam uma estratégia para superar o desafio. Passados os cinco minutos, interrompia-se o processo e a criança ganhava, além do primeiro, também o segundo marshmellow.

Em continuidade à pesquisa, os estudiosos acompanharam essas crianças ao longo de vinte anos. E constataram algo extremamente interessante: aquelas pessoas que aos quatro anos de idade haviam tido a paciência (e sabedoria) de esperar pelo segundo marshmellow sentiam-se muito mais felizes e bem-sucedidas em suas vidas do que aquelas que haviam atendido ao impulso de comer o primeiro marshmellow. Fica muito clara a lição: vale a pena fazer algum sacrifício em busca de algo melhor. Um marshmellow é o prazer. Dois marshmellows, a felicidade.

As conquistas materiais e o sexo dão prazer, o amor e o afeto trazem felicidade, o prazer é efêmero, a felicidade duradoura, o prazer é superficial, a felicidade profunda, felicidade é generosa, o prazer egoísta, o prazer é instantâneo, a felicidade acumulativa, o prazer é pele, toque e ligação, a felicidade é alma, sintonia e afinidade, o prazer consome, a felicidade constrói, a felicidade é compartilhada, o prazer é trocado, o prazer quer sempre provar algo para quem o sente, a felicidade é uma simples certeza para quem a tem, o prazer nos dá asas e nos faz voar e a felicidade é o céu.

O objetivo de se sentir prazer é dar prazer a si mesmo e ao outro, o da felicidade é dar razão e significado a si mesmo e ao outro.

A falta de prazer gera frustração, falta de felicidade a dor.

Proporcionar prazer a alguém é algo mágico, que nos completa, nos faz sentir úteis e vivos, cria laços e une as pessoas num único objetivo, mas oferecer a felicidade a alguém, isso sim, é maravilhoso e muito mais complexo.

Dar prazer é fazer se sentir bem, proporcionar felicidade é dar segurança, dar prazer é satisfazer as necessidades que sentimos, proporcionar felicidade é complementar a nossa vida e enriquecer a nossa essência.

Quando percebemos e entendemos as diferenças entre o prazer e a felicidade a vida toma uma nova dimensão, torna o nosso sofrimento apenas uma questão de escolhas e a tomada de uma decisão resumida a uma simples pergunta.

O que vou escolher ou estou escolhendo me traz felicidade ou prazer?

Geralmente as escolhas certas a serem feitas são aquelas mais difíceis, aquelas que envolvem abrir mão de algum prazer.

O prazer é necessário para a vida, deve ser recebido e praticado sem pecado e sem sentimento de culpa, mas é preciso usar o prazer a favor de si e não ser escravizado e viver em função dele, pois o prazer pode tornar-se um vício e como todo vício será prejudicial à saúde mental, espiritual e física, quanto mais prazer você tiver, mais prazer você vai querer até chegar um ponto onde nada mais dará prazer, nada mais vai preencher os seus vazios. A felicidade é qualquer coisa que depende mais de nós mesmos do que das contingências e das eventualidades da vida.

Um ditado diz: ”A felicidade não depende do que nos falta, mas do bom uso que fazemos do que temos”.

* André Luis C. Aquino
Nasci em São Sebastião, SP e atualmente moro em São Paulo. Comecei a escrever quando tinha 13 anos em diários que relatavam o meu dia-a-dia até descobrir um jogo de palavras que tira radiografia do pensamento e do coração chamado poesia. Hoje tento organizar as idéias, os sentimentos e o pensamento em meio ao caos urbano, tento enxergar o que os olhos não vêem, mas o coração sente.

04/12/2009

Agricultores de SP desmatam o cerrado apesar de multas altas

Arquivado em: Uncategorized — Tags: — Ricardo Casetta @ 22:03

Por Nilbberth Silva, da Agência USP

Proprietários rurais do cerrado paulista escolhem usar a área de preservação obrigatória das suas terras em atividades como agricultura e pastagem correndo o risco de pagar multa – mesmo que o valor da multa seja muito superior ao lucro obtido com a exploração das terras. A constatação é do administrador e biólogo Alexandre Igari, que desenvolve no Instituto de Biociências (IB) da USP uma pesquisa de doutorado sobre o tema.

O pesquisador explica que o Código Florestal Brasileiro obriga os donos de terras a preservar algumas áreas frágeis de suas propriedades rurais, como margens de rios. Obriga também que 20% do território restante seja usado apenas em atividades que obedeçam a um plano aprovado pelo governo, como ecoturismo e extrativismo sustentável. Caso sejam pegos utilizando a área, chamada de Reserva Legal, os donos pagam uma multa de cerca de R$5.000 por hectare. A pesquisa propõe que o governo desenvolva linhas de crédito específicas para agricultores que obedecem à lei.

Igari estudou os 349 municípios paulistas que possuem mais de 10% do seu território na área original do cerrado. Ele calculou o quanto os proprietários lucrariam em média se alugassem a terra da reserva legal ou a usassem para as principais atividades econômicas das zonas rurais das regiões – por exemplo, agropecuária ou plantação de eucaliptos.

Era de se esperar que só desobedecessem a lei os municípios onde os lucros obtidos com a exploração e com o aluguel das terras fossem mais altos que o valor da multa. Contudo, apenas seis municípios, que cultivavam frutas, apresentavam lucratividade anual maior do que o valor da multa. E somente em 100 municípios o valor esperado do aluguel era maior do que o valor da multa. Em apenas cinco municípios foi observado o percentual mínimo de Reserva Legal.

Falta fiscalização

“Os agricultores preferem desmatar o cerrado porque a chance de ser pego na fiscalização é muito baixa e não há benefícios financeiros para quem obedece a lei”, explica Igari. Na verdade, os bancos são proibidos de negarem o Crédito Rural, com juros subsidiados pelo governo, a agricultores que desobedeçam ao Código Florestal. A única condição é que eles tenham condições de pagar os empréstimos e as multas decorrentes da infração.

“Com isso, o governo acaba financiando atividades que desrespeitam as leis ambientais”, resume o biólogo. Ele está aperfeiçoando em sua tese uma solução em que tanto os produtores rurais quanto o meio ambiente se beneficiariam. A sugestão é que mudem as regras de crédito rural, de maneira que somente produtores que respeitassem a lei recebessem o benefício. Outra idéia é que o governo utilize linhas de crédito internacionais, como as do Banco Mundial, para aumentar os subsídios para produtores que se enquadram no código florestal.

“O esquema seria atrativo para fontes estrangeiras de financiamento ambiental porque mesmo as taxas de juros subsidiadas no Brasil são muito competitivas, comparadas com as dos países desenvolvidos”, explica Igari em artigo sobre a pesquisa publicado em junho de 2009 na revista Environmental Management . “Proprietários de terras se beneficiariam de uma maior disponibilidade de recursos subsidiados para fazer novos investimentos. Isso poderia aumentar a produtividade e lucratividade, mesmo de acordo com as leis ambientais.”

O cerrado é considerado por pesquisadores de ecologia um hotspot – área com pelo menos 1500 espécies que vivem apenas na região e que tenha perdido mais de 70% da vegetação original. Em São Paulo, somente 8,5% da área original do cerrado permanece preservada, sendo que 93,5% se encontram em propriedades particulares.

A tese de doutorado de Igari, orientada pela professora Vânia Regina Pivello, deve ser defendida em 2011.

Mais informações: (11) 3091-7603, email igari@uol.com.br
(Envolverde/Agência USP)

27/11/2009

Frases de novembro (não que elas tenham sido ditas nesse mês!)

Arquivado em: Uncategorized — Tags:, , — Ricardo Casetta @ 8:08

“A maioria de nossos males é obra nossa e os evitaríamos, quase todos, conservando uma forma de viver simples, uniforme e solitária que nos era prescrita pela natureza.” – Jean-Jacques Rousseau

“Experiência não é o que aconteceu com você; mas o que você fez com o que lhe aconteceu.” – Aldous Huxley

02/11/2009

Os Limites da Terra

Arquivado em: Uncategorized — Tags:, , — Ricardo Casetta @ 22:57

Há umas semanas atrás estive numa reunião do Grupo de Intercâmbio de Experiências (GIE) de Mudanças Climáticas da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha. O assunto do dia foi o novo acordo climático esperado de Copenhague  em dezembro. Entre as diversas informações apresentadas, uma transparência me chamou a atenção: a de um estudo da revista científica Nature apresentando os limites da Terra que deveriam ser respeitados para que se evitassem mudanças ambientais catastróficas. Os limites se referem a mudanças climáticas, perda de biodiversidade, acidificação dos oceanos, ciclo do nitrogênio, entre outros. Dos 9 limites estabelecidos, 2 ainda não foram quantificados e 3 já foram extrapolados, ou seja, apenas 4 estariam confirmadamente dentro desses limites. O estudo completo pode ser obtido do site da revista (http://www.nature.com/news/specials/planetaryboundaries/index.html).

A humanidade em geral ainda não acordou para a crise ambiental que está em curso como consequência do nosso modo de vida. Crise ambiental não significa que algumas árvores estão sendo cortadas e que alguns animais estão sendo mortos. A comunidade científica vem demonstrando relatório atrás de relatório, pesquisa atrás de pesquisa, o quanto estamos afetando toda a biosfera do planeta praticamente apenas nos últimos 200 anos, tendo se tornado mais crítico nos últimos 50 anos. E pior: a maioria de nós não consegue estabelecer (ou não quer, pois isso requeriria grandes mudanças de comportamento) a relação da crise ambiental com o modelo de desenvolvimento econômico que quase todos os países do mundo insistem em adotar como forma de alcançar prosperidade.

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